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“Crédito fácil” pode ser uma fria

Empréstimo “rápido” e “sem burocracia”. Nenhuma necessidade de comprovar renda, residência ou bom nome na praça. Parcelas a perder de vista. Dinheiro vivo em 24 horas.


As ofertas de crédito facilitado estão nos classificados dos jornais, em anúncios de rádio ou mesmo na TV. Miram aposentados e pensionistas, mas buscam atingir a mais ampla clientela possível.

De R$ 5 mil a até mais de R$ 100 mil, a possibilidade de se endividar é apresentada como atalho para a compra de um carro novo, o material escolar das crianças ou mesmo para quitar outras dívidas.

Tanta facilidade, porém, pode esconder armadilhas. “Se uma oferta de crédito é muito facilitada, é preciso desconfiar”, diz a superintendente estadual do Procon, Gisela Simona de Souza.

Se não há exigência de nome limpo em serviços de proteção ao crédito ou mesmo comprovação de renda, os juros certamente estarão muito acima do mercado. “Também pode ser golpe”, declara.

Nesta semana, o DIÁRIO entrou em contato com empresas que anunciam crédito em Cuiabá e simulou interesse na contratação de um empréstimo de R$ 5.000,00.

Duas delas exigiram o pagamento antecipado de um valor equivalente a 10% do total pretendido. “É referente à contratação de um seguro”, diz um dos atendentes. A alternativa ao pagamento do seguro, segundo ele, seria a apresentação da garantia de dois fiadores com imóveis registrados em seus nomes.

Segundo a superintendente do Procon, é ilegal a exigência do pagamento de taxas antes da concessão de crédito. “As taxas, quando é o caso, têm de ser embutidas no financiamento”, diz.

Muitos bancos de crédito contratam vendedores autônomos para atingir mais clientes. Para aumentar seus ganhos, relata a superintendente, estes representantes embutem no negócio exigências inexistentes.

“Muitos destes vendedores, que são conhecidos como ‘pastinhas’, empregam este expediente de exigir a contratação de apólices de seguro. Assim, recebem comissão do banco e da seguradora”, afirma.

Desde 2010, o Procon faz uma campanha para alertar consumidores sobre os riscos do endividamento sem controle. “A situação é muito grave”, avalia.

Nesta semana, os Procons estaduais apresentaram em conjunto uma proposta de atualização no Código de Defesa do Consumidor, já prevendo a regulamentar do setor de concessão de crédito. “É preciso disciplinar o setor para que haja mais responsabilidade na oferta”.