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Inflação perdeu força, mas segue acima da meta, aponta BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central afirmou nesta quinta-feira (5), em ata da sua última reunião, que elevou a taxa de juros para 10%, que a projeção para a inflação deste ano caiu, mas permanece acima da meta do governo, de 4,5% .


"A projeção para a inflação de 2013 diminuiu em relação ao valor considerado na última reunião, porém, permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)", diz o BC na ata.

Para 2014, a projeção se manteve estável no cenário de referência, acima da meta de 4,5%. Já para o terceiro trimestre de 2015, a inflação se posiciona acima da meta. 

Juros

Após elevar seis vezes a taxa básica de juros, o Copom manteve a avaliação de que a política monetária (definição dos juros básicos da economia) segue "especialmente vigilante", de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária.

No documento, o BC também manteve a avaliação de que considera apropriada "a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso". A frase, no entanto, perdeu destaque no texto.

Porém, acrescentou a seguinte observação: "Ao mesmo tempo, o Comitê pondera que a transmissão dos efeitos das ações de política monetária para a inflação ocorre com defasagens"

A taxa básica da economia vem subindo desde abril, quando estava em 7,25% ao ano (mínima histórica). Até o momento, foram seis elevações seguidas que, ao todo, somaram 2,75 pontos percentuais – visto que a taxa está, atualmente, em 10% ao ano.

O mercado financeiro acredita, até o momento, em duas novas altas de juros em 2014, sendo a primeira delas justamente em janeiro do ano que vem. Entretanto, os próprios analistas já preveem uma redução do ritmo de crescimento do juro básico.

A expectativa é de que o Copom suba a taxa Selic, em janeiro, de 10% para 10,25% ao ano – uma elevação de 0,25 ponto percentual (metade do ritmo implementado nos últimos meses). A outra elevação aconteceria, na estimativa dos analistas do mercado, somente em dezembro do ano que vem – quando a taxa subiria para 10,50% ao ano, patamar no qual encerraria 2014.

Comunicado do Copom

No comunicado divulgado após a reunião do Copom, na semana passada, a autoridade monetária alterou um pouco o discurso ao retirar a avaliação de que a alta de juros contribuiria para "colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano". Essa frase constava nos últimos quatro comunicados (reuniões entre maio e outubro deste ano).

Repasse da alta do dólar

O Copom manteve a avaliação, porém, de que a alta do dólar e a volatilidade (sobe e desce) da taxa de câmbio, verificadas nos últimos trimestres "ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos" (alta da inflação).

"Para o Comitê, esses movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária", repetiu o BC

Metas de inflação

Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2013 e 2014, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, tem afirmado, porém, que a inflação teria queda neste ano frente ao patamar registrado em 2012 (5,84%) e novo recuo no ano de 2014.



Fonte: G1