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Comércio pode fechar 2013 com alta de 4,5%, pior desempenho da década, diz CNC

Em um cenário de juros maiores e inadimplência elevada, os bancos estão menos dispostos a emprestar e os consumidores também pouco afeitos a se endividarem mais. Com isso, o crédito já não irriga tanto o comércio e as vendas do setor tendem fechar 2013 no mais baixo patamar dos últimos dez anos, segundo previsão da CNC (Confederação Nacional do Comércio).

Para a entidade, principal representante do setor comercial no Brasil, a alta da inflação e desaceleração do mercado de trabalho também contribuem para um crescimento do comércio abaixo do esperado em outubro e para um resultado mais modesto neste ano.

A CNC projeta uma alta de 4,5% em 2013. Já a LCA revisou para baixo sua projeção de expansão neste ano --de 4,5% para 4,2%. Se confirmado, o desempenho ficará abaixo dos 8,4% de 2012 e dos 6,7% de 2011--, apesar da expansão do consumo e do comércio. Será o pior resultado desde 2003, quando o país atravessava uma recessão e as vendas do varejo caíram 3,7%.

Em outubro, o comércio avançou 0,2% na comparação com setembro. Foi a oitava alta consecutiva, mas o resultado veio abaixo do esperado (0,5%, em média) e mostrou uma desaceleração frente à alta de 0,5% de setembro. Na comparação com outubro de 2012, o crescimento foi de 5,3%, também inferior ao previsto, segundo a CNC.

O desempenho mais fraco do comércio é "condizente com o comportamento dos principais determinantes do consumo", segundo a LCA. Entre os fatores que ditam o comportamento dos consumidores, a consultoria cita a aceleração dos preços em outubro, sobretudo de alimentos e vestuário --dois dos ramos com as quedas mais expressivas em outubro.

"A perda de força dos preços em geral e dos alimentos particularmente gerou um alívio no bolso do consumidor no terceiro trimestre, mas voltou a pressionar o poder de compra das famílias em outubro", diz a LCA.

O resultado só não foi pior por conta do Dia das Crianças. Segundo Reinaldo Pereira, economista do IBGE, destacou o bom desempenho do ramo de artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui brinquedos e material esportivo. A atividade registrou alta de 11,9% ante outubro de 2012 e 1,2% na comparação com setembro --acima da média do varejo, em ambos os casos. 


Fonte: Folha de São Paulo