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Inflação fica acima do esperado e BC diz que tem de se manter vigilante

IPCA de 2013 ficou em 5,91%, com alta frente ao patamar de 2012. Mercado financeiro espera nova alta dos juros no começo de abril.


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou nesta quinta-feira (23), por meio da ata de sua última reunião, quando os juros básicos da economia foram elevados para 10,5% ao ano, que a inflação tem ficado "ligeiramente acima" do que se antecipava e também manteve a avaliação de que a política de juros tem de se manter "especialmente vigilante".

No ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) somou 5,91%. Com isso, ficou acima do patamar registrado em 2012 - quando somou 5,84% - contrariando a expectativa do presidente da instituição, Alexandre Tombini. Ele declarou em diversas ocasiões, no decorrer de 2013, que a inflação registraria queda frente ao patamar de 2012 - o que não aconteceu. Para este ano, o mercado financeiro prevê nova alta da inflação. Segundo pesquisa do BC com os economistas dos bancos, o IPCA deve somar 6,01% neste ano.

Sistema de metas de inflação

Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC precisa calibrar os juros para atingir as metas preestabelecidas, tendo por base o IPCA, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Juro vem subindo desde abril

Desde abril do ano passado, a autoridade monetária vem promovendo aumento da taxa básica de juros da economia brasileira para tentar conter a inflação. Naquele momento, a taxa Selic estava em 7,25% ao ano, passando para 10,50% ao ano em janeiro de 2014 após sete elevações consecutivas. Ao todo, a alta dos juros, desde abril do último ano, somou 3,25 pontos percentuais.

A expectativa do mercado financeiro é de um novo aumento dos juros no começo de abril, quando a taxa básica da economia brasileira avançaria para 10,75% ao ano. Depois disso, a previsão é de novas altas em 2015. Para o fim do ano que vem, a estimativa dos economistas dos bancos é de que os juros atinjam 11,50% ao ano.

Inflação acima do antecipado e ritmo de alta do juro

O Banco Central avaliou, na ata do Copom, que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência e acrescentou que o IPCA "tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava".

"Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. Dessa forma, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso", informou o Copom, por meio da ata de sua última reunião", avaliou o Copom.

Alta do dólar pressiona preços

O Copom também manteve a avaliação de que a alta do dólar resulta em "natural e esperada correção de preços relativos". "Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária", acrescentou.

Gastos públicos

O Banco Central também manteve a avaliação de que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais (gastos públicos) e que se criam condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a "zona de neutralidade" - sem elevação de despesas pelo setor público.

"O Comitê nota ainda que a geração de superavit primários [economia para pagar juros e manter a dívida pública em queda] compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, de um lado, contribuiria para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta; de outro, contribuiria para criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo", informou o Copom.



Fonte: G1