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BC sobe estimativa e prevê inflação acima de 6% em 2014

O Banco Central revisou para cima sua expectativa para o crescimento da inflação em 2014 e em 2015, segundo informações contidas no relatório de inflação do primeiro trimestre deste ano, divulgado nesta quinta-feira (27).


De acordo com a instituição, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como base do sistema de metas de inflação do governo federal, deverá superar a barreira dos 6% em 2014 - ficando entre 6,1% e 6,2%. A estimativa anterior, feita em dezembro do ano passado, era de que a inflação ficaria em 5,6% neste ano.

Para o ano que vem, a auotoridade monetária também estima mais inflação. Em dezembro do ano passado, o BC previa que o IPCA ficaria entre 5,3% e 5,4%. Agora já tem a expectativa de que a inflação avance um pouco mais: para 5,5%.

Mesmo com o aumento, a previsão de inflação do Banco Central ainda está abaixo do que estima o mercado financeiro. Para este ano, os economistas dos bancos esperam que o IPCA avance para 6,28% e que some 5,8% em 2015.

Alta dos juros e sistema de metas

O aumento da expectativa de inflação do BC acontece apesar da alta dos juros básicos da economia, que vem acontecendo desde abril do ano passado. Desde então, a taxa Selic subiu 3,5 pontos percentuais, de 7,25% ao ano para 10,75% ao ano. Foram oito elevações seguidas no juro básico do país - promovidos pela própria autoridade monetária justamente com o objetivo de conter o avanço da inflação.

Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o IPCA. Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Deste modo, as estimativas do BC divulgadas nesta quinta-feira mostram o IPCA longe da meta central de 4,5% estabelecida para 2014 e 2015, embora ainda esteja dentro do intervalo de tolerância existente. O teto do sistema de metas de inflação brasileiro é um dos mais altos do mundo.

Inflação resistente e acima do previsto

O Banco Central avaliou que, apesar da "moderação observada na margem" (últimos resultados da inflação), a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses "contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava".

"Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a percepção dos agentes econômicos sobre a dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido", acrescenta a autoridade monetária.

O BC também avaliou que uma "fonte relevante de risco para a inflação reside no comportamento das expectativas de inflação, impactadas negativamente nos últimos meses pelo nível da inflação corrente, pela dispersão de aumentos de preços e pelas incertezas que cercam a trajetória de preços com grande visibilidade, como o da gasolina e os de alguns serviços públicos, como eletricidade".

"A esse respeito, o Comitê tem agido no sentido de fazer com que a elevada variação dos índices de preços observada nos últimos doze meses seja percebida pelos agentes econômicos como um processo de curta duração. Com isso, a persistência da inflação tenderia a diminuir, bem como os danos que causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos", informou o BC. 

Política de juros 'vigilante'

A autoridade monetária informou que, em momentos como o atual, a política de definição da taxa básica de juros deve se manter "especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária".

A expectativa do mercado financeiro é de que o Comitê de Política Monetária do BC, colegiado que define os juros básicos da economia brasileira, eleve na próxima semana a taxa Selic dos atuais 10,75% para 11% ao ano. Se confirmada, será a nona elevação seguida do juro básico do Brasil.



Fonte: G1