Notícias

BC vai encurtar prazo para repasse de cartões
O Banco Central pretende diminuir o prazo em que as administradoras de cartão de crédito repassam recursos aos lojistas.
A medida é parte do pacote para estimular a economia que deve ser anunciado nos próximos dias, agora que o Senado terminou a aprovação da PEC do Teto dos Gastos.
No mundo inteiro, os bancos emissores dos cartões e as empresas credenciadoras repassam os recursos aos varejistas dois dias depois da venda; no Brasil, o sistema — formado pelos bancos emissores e por empresas como a Cielo e Rede (do Itaú Unibanco) — fazem o repasse em 30 dias.
A medida do BC vai transferir renda do setor bancário para o setor da economia que mais tem sofrido com a recessão e o desemprego: o varejo.
“Se o Governo fizer isso, estará mandando muito bem,” disse o CEO de uma empresa que faz 80% de seu faturamento nas vendas com cartões. “Isso vai reduzir o capital de giro do varejo e ajudar muita gente.”
O mais provável é que o BC não encurte o prazo de uma só vez, e sim estabeleça um período de transição para prazos mais curtos. Para o varejo, quanto mais rápida a transição, melhor.
A mudança do prazo deve forçar uma redistribuição no ‘economics’ dos três players da indústria de cartões: o banco emissor, a empresa credenciadora e o lojista. Hoje, na média, os lojistas pagam 2,8% por transação de cartão de crédito. Deste total, cerca de 1,58 ponto percentual vai para o banco emissor, enquanto a empresa credenciadora fica com cerca de 1,2 ponto percentual. Ambos pagam taxas à bandeira que usam: Visa, Mastercard, Amex ou Elo.
No novo cenário, quando se virem forçados a empregar mais capital de giro, os bancos devem exigir uma fatia maior do bolo. Também é possível que os bancos e credenciadoras tentem aumentar a taxa cobrada dos lojistas para compensar o prazo mais curto.
Para as credenciadoras, haverá outra consequência: ao receber num prazo mais curto, os lojistas farão menos uso das operações de pré-pagamento, pelas quais antecipam o recebimento mediante pagamento de juros à credenciadora. Essas operações são uma parte significativa do bolo de receita das credenciadoras.
Fonte: www.braziljournal.com