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Homem lidera calote

 

Um levantamento sobre a inadimplência no país, realizado pelo Banco Central, mostra que caloteiro tem um perfil definido. Quem não paga suas contas em dia geralmente é homem, tem entre 45 e 60 anos, mora na Região Sudeste e não declara aos bancos o seu ramo de ocupação. E são os trabalhadores do setor privado que mais atrasam suas contas. Enquanto apenas 0,6% dos funcionários públicos do Nordeste constam como devedores, esse índice sobe para 7,7% entre profissionais de outros setores das regiões Centro-Oeste e Sudeste.

O perfil do tomador de crédito pessoal no Brasil foi pesquisado pelo BC entre as operações de quatro grandes bancos que, juntos, detinham 74% do volume desse tipo de financiamento em julho deste ano. Os resultados foram divulgados ontem com relatório de inflação. Embora não seja a única variável, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, observou que a inadimplência está intimamente ligada à taxa de desemprego.

"Quando o desemprego sobe, o saldo devedor em atraso também se eleva", observou. Segundo análise feita pelo BC, cada ponto percentual adicional na taxa de desemprego agregado aumenta a possibilidade de calote em três ou quatro pontos. A renda é outro fator relevante. "Para pagar o empréstimo, o tomador deve contar com um salário suficiente. Caso contrário, não terá condições de honrar seu compromisso e entrará em inadimplência", ressaltou o BC.

Expansão

A análise considerou a enorme expansão obtida pelo crédito direcionado às pessoas físicas nos últimos oito anos, que passou de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), em janeiro de 2003, para 15,5% em julho deste ano. O percentual de atrasos acima de 90 dias atingiu o pico em maio de 2009, quando bateu em 8,54% da carteira. De lá para cá esse percentual recuou para 5,68%, em dezembro de 2010, passando a crescer novamente até atingir 6,59% em julho último. O crédito consignado não foi considerado.

As regiões Nordeste e Norte concentram os consumidores mais pontuais. No Nordeste, apenas 1,9% estão inadimplentes. No Norte, esse percentual é de 2%. Entre os homens dessas duas regiões, o índice de falta de pagamento é de apenas 2,8% dos empréstimos tomados nos bancos.