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Preço dos ingressos para a Copa do Mundo de 2014 deverá ser acessível a todos

 "Sabemos que os brasileiros são loucos por futebol", afirmou o diretor de marketing da Fifa (Federação Internacional  de Futebol) e membro da Fifa Ticketing AG, Thierry Weil. "A nossa missão é estabalecer um nível de preços que seja acessível para todas as pessoas. O objetivo é possibilitar que todos possam assistir aos jogos, tanto torcedores de alta quanto de baixa renda".

Atualmente, a maior entidade do futebol discute com o governo brasileiro e o Comitê Organizador Local para garanitr o acesso de todos os consumidores às partidas da Copa do Mundo de 2014. "Acreditamos que grande parte dos ingressos irá para as mãos dos brasileiros. Para nós, o torcedor é o mais importante. Se tivermos torcedores felizes no estádio, a Copa do Mundo com certeza será fantástica", apontou Weil.

O diretor participou, na última quinta-feira (20), de uma mesa redonda em Zurique junto com jornalistas brasileiros e o presidente da Match AG, Jaime Byrom, para esclarecer dúvidas sobre a venda dos ingressos.

Vendas devem começar a partir de 2013
De acordo com Weil, as vendas de ingresso deverão começar após a disputa da Copa das Confederações da Fifa em 2013. "Decidimos fazer as coisas dessa forma para não confundir os torcedores com ingressos para dois diferentes eventos", justificou. Os ingressos para o torneio que antecede o Mundial serão vendidos após o sorteio final de 2012.

Em relação aos bilhetes para a Copa, que será realizada no Brasil, a expectativa é que sejam disponibilizados 3,3 milhões. "Só poderemos saber isso quando todos os estádios estiverem concluídos e quando estiver claro quantos assentos poderão ser colocados à venda, pois pode haver problemas, como lugares com uma visão limitada do campo", esclareceu.

Loteria de ingressos
A maior parte dos ingressos será vendida atráves do Fifa.com, site oficial da Copa do Mundo. "Além disso, assim como ocorreu na África do Sul, teremos pontos de venda no Brasil para os torcedores locais que não disponham de conexão de internet", acrescenta. "Para isso, trabalharemos juntamente com organizações locais para garantir que possamos alcançar todos os torcedores.

A novidade será a primeira etapa de venda dos bilhetes: "A primeira fase será como uma loteria, na qual a pessoa se candidatará aos ingressos e, então, poderá ou não ser sorteada. Todos poderão participar e, portanto, terão chances iguais de conseguir ingressos", detalha Weil.

Corrida pelos ingressos já começou?
Ainda faltam três anos (ou 965 dias, conforme a contagem regressiva no site do Ministério do Esporte) para a Copa do Mundo no Brasil, mas Jaime Byrom destaca que a procura está ultrapassando a dos últimos Mundiais, quando a Match Hospitality também foi responsável pelas questões de hospitalidade e ingressos.

"Para o Brasil teremos uma nova abordagem com referência à hospitalidade e apresentaremos um novo produto. Além de ingressos específicos para as cidades e seleções, também haverá uma série abrangendo os principais estádios", contou.

A problemática da Lei Geral da Copa
Mesmo com as declarações sobre a venda de ingressos para o Mundial e a dita preocupação de alcançar todos os estratos de renda, os consumidores brasileiros ainda estão apreensivos por conta da Lei Geral da Copa (PL 2.330/2011). Isso porque, a Federação discordou de diversos pontos ali descritos e exige que haja alterações que podem ferir legislações consagradas no País.

Na última quarta-feira (19), os integrantes da Comissão Especial, que vai avaliar o projeto enviado pelo Executivo, informaram que a Fifa se disponibilizou a debater as questões e virá em novembro para participar de reuniões no Congresso.

Entidades de defesa dos consumidores repudiam Lei Geral da Copa
Desde que o Governo brasileiro se propõs a rever alguns pontos da legislação referente ao evento esportivo, os quais divergem da proposta feita pela FIFA, entidades de defesa dos consumidores e advogados especializados em Direito do Consumidor se pronunciaram contrários.

O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), por exemplo, enviou uma carta à presidência pedindo que o Executivo seja firme na defesa das leis, de maneira a garantir sua plena compatibilização com os direitos dos consumidores e com todos os direitos sociais da população brasileira.

A Fundação Procon-SP, por sua vez, também manifestou sua preocupação com a Lei Geral da Copa. "O governo brasileiro aceitou fazer parte da Fifa, o que confere à organização a possibilidade de fazer uma série de imposições ao País sede do evento", disse em nota.

Apesar do necessário equilíbrio entre a legislação brasileira e as exigências internacionais, a entidade defende que isso não significa que os direitos já consolidados na legislação e assegurados pelo próprio Estado sejam por ele colocados de lado, dando lugar a novos regulamentos.

A Lei Geral da Copa, completa a nota, não deve estabelecer regras que dão poderes irrestritos à Fifa, desrespeitando leis nacionais e ferindo um dos princípios fundamentais da Política Nacional de Relações de Consumo, que é a harmonia e equilíbrio entre os interesses dos participantes das relações de consumo.