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Empresas precisam mudar estratégia para atingir classe média crescente, diz estudo

As empresas precisarão mudar sua estratégia e criar novos produtos e serviços para atingir as necessidades de uma classe média que cresce rapidamente em todo o globo, principalmente nos mercados emergentes, de acordo com um estudo da Ernst & Young, divulgado nesta terça-feira (22).

“O estudo mostra que os mercados de crescimento rápido, entre eles o Brasil, começarão a não mais dirigir suas economias para uma dependência em exportações, mas para um modelo de crescente consumo interno”, afirma o sócio-líder da Ernst & Young Terco para Mercados Estratégicos, André Viola Ferreira. “Apesar de não ser rica pelos padrões dos países desenvolvidos, a classe média nesses mercados já está poupando menos e gastando mais, criando grandes oportunidades para companhias que podem servi-la com produtos e serviços relevantes para suas necessidades”, continua.

Mudança de foco
De acordo com o estudo, a maior parte das empresas de economias desenvolvidas foca atualmente as suas atividades em produtos finais premium em seus mercados de alto crescimento, mas isso terá que mudar nos próximos anos.

O aumento no número de consumidores de renda média - uma faixa populacional que será engrossada por mais 3 bilhões de pessoas até 2030 - representará um avanço de demanda de US$ 21 trilhões para US$ 56 trilhões até 2030, segundo a Ernest & Young.

“Trata-se de um enorme potencial em economias de rápido crescimento, e essa pesquisa demonstra a escala de oportunidade para companhias que desenvolvem produtos inovadores”, diz Ferreira. “As empresas precisam pensar sobre mudanças fundamentais no modo como trabalham para tirar vantagem dessas mudanças demográficas”, completa.

Inovação
O estudo aponta ainda que as empresas já estão começando a inovar nesses mercados. A maior parte dos entrevistados (mais de três quartos) acredita que adotar o uso econômico de recursos para fornecer produtos acessíveis pela baixa renda – a chamada “inovação frugal” - é uma grande oportunidade.

De acordo com a Ernest & Young, as companhias com crescimento acima da média de Ebitda (lucro antes de juros, taxas, depreciação e amortização) estão mais propensas a reconhecer o tamanho dessa oportunidade. Do total, 81% dos entrevistados de companhias de alta performance disseram que a inovação frugal é uma grande oportunidade, comparados com 68% das empresas com menor crescimento de Ebitda que disseram o mesmo.

“As companhias – independentemente do mercado – estão atualmente perdendo uma oportunidade cada vez mais significativa em economias em desenvolvimento. Elas devem levar a esses mercados produtos em linha com a distribuição de renda. Isso exige uma mudança fundamental”, afirma Ferreira.

O estudo
O estudo da Ernest & Young Terco, denominado “Innovating for the next three billion: The rise of the global middle class”, foi baseado em uma pesquisa com 547 executivos de todo o mundo – 13% deles do Brasil – e entrevistas com alguns dos principais empreendedores do mundo.